domingo, 4 de março de 2012

Ney Matogrosso - Mal Necessário

Um ou uma



Uma meia vida;

Um meio dente arrancado;

Uma pessoa que te ama mais ou menos;

Um choro contido;

Uma meia família;

Um meio sorriso;

Uma bandeira estiada;

Um poema de felicidade incompleto;

Uma chuva que não molha;

Um ser humano que só pisa em chão firme;

Uma canção já realizada;

Um ídolo sem super poderes;

Uma casa pintada de cinza;

Um melhor amigo à quilômetros de distância;

Uma viagem somente sonhada;

Um local com uma rede nunca utilizada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A cidade de concreto -parte 2

Para começar, discordo de uma música que está super em “alta”, considerada cult pela MTV. Mal sei da trajetória do artista que diz numa de suas músicas que não existe amor na cidade de São Paulo.

Percebo que eram muitos pre- conceitos que faziam parte de mim, algo bem longínquo, uma parte bem menina mesmo, interiorana do sul de Minas Gerais. Talvez, eu tenha escutado muito mal do estado de SP, do que a TV me apresentava: polêmicas, violência no trânsito, etc.

Os “espigões” (prédios altos,alguns muito altos) já não me são tão estranhos, bem como algumas gírias locais. Não sei se sou eu, mas parece que tudo ao meu redor respira “cultura”.

E o mais importante, seletivamente no quesito qualidade, posso ter acesso a este mundo e isso me agrada.

Os horizontes emocionais aumentaram. Minha cabeça aumentou?

É isso, minha mente se expandiu...Cabe mais gente, mais possibilidades, mais mudanças. Nasci numa cidade pequenina, e fui aumentando o número de habitantes dentro e fora de mim!Não sei se isso é bom ou ruim, mas me faz uma pessoa melhor, talvez mais adaptável, não sem uma dose de apreensão.

Em apenas uma semana passei a gostar muito de um local que não conhecia: padaria, pet, supermercado, restaurante, condomínio, bairro e tudo mais. A “cigana” nasceu aqui!

E quando a gente tem tudo que precisa dentro da gente ou ao nosso lado, como já disse, tudo fica mais fácil. A impressão que tenho é a de que posso mudar mais vezes, pois dentro de mim cabe mais lugares diferentes, até mesmo outro país.

Um possível futuro amigo e colega de profissão, disse na virada do ano que somos exceção, pessoas de sorte, por fazermos o que gostamos e por termos um diploma, conquistado a “duras penas”: Douglas, marido da Juliana.

E mais, disse que podemos exercer os nossos “propósitos” aqui,no Brasil. Isso me marcou muito, fiquei pensativa , apesar de naquele momento não falar para o mesmo o quanto concordava e admirava sua postura profissional. Essa mesma postura é considerada por muitos como se ele fosse um “nerd futurista", não é assim que eu o vejo!

Na cidade de concreto a primeira coisa que encontrei foi um “abraço de urso” de um colega de trabalho do meu companheiro. Ou vários abraços de ursos?Foi isso, e quer saber, gostei!

Não estou distante de minha família por quilômetros, eles estão dentro de mim em cada decisão e em todos os dias nos valores que carrego comigo, talvez nem saibam o quanto.

Uma pessoa querida disse essa semana que é muito bom a gente matar a saudade das pessoas que amamos, e seguiu:- “Matamos a saudade de quem está vivo, senão, seria muito triste, não dá para matar a saudade de quem não está mais neste mundo”.

Aí, fiquei pensativa:- Poxa, estou com muita saudade de várias pessoas que estão vivas, que bom vai ser essa espera e poder reencontrá-los(as). Vou cuidar dos detalhes desse reencontro com carinho!

Com certeza esse encontro vai ter o “abraço vai de ursa apertado”, podem esperar mineiros, diamantes. Ainda mais de uma pessoa feliz e que gosta do que faz.

Acredito, que quando nos casamos cabe a nós, humanos imperfeitos e aprendizes, adotar a família do conjunge ou não.Dei sorte, sou bem-vinda e os mesmos também são na minha casa, agora estou mais perto do mesmos. Isso é uma dádiva de Deus ou algo construído com várias mãos?

Não quero respostas prontas, como quase sempre.

Não vou te contar

Não vou te contar que tenho uma colcha vermelha com almofadas pretas que me fazem lembrar o time do meu irmão toda vez que olho para ela, o Mengão;

Nem vou te contar que o que fez casar-me, foi o jeito que ele me olha quando eu sambo, como se eu fosse uma mulata em plena Sapucaí;

Ah, não vou te contar que tenho tentado praticar a “filosofia do desapego material”, mas toda vez que olho para os nossos livros, quadros e minhas maquiagens me apego cada vez mais à estes itens;

Você não vai saber que já fiz várias vezes “promessas” durante a quaresma e não cumpri nenhuma delas, eu amo chocolates;

Vixi, também não vou contar que amo a psicanálise tanto quanto “brigo” com ela, ou seja, muito;

Não vou te contar que se pudesse não questionaria tanto a vida, as pessoas e a mim;

Vou mentir que conheci o Chico na adolescência e que nunca fui a ovelha negra da família;

Não vou contar que morro de preguiça de responder e-mail, mas adoro recebê-los, seria feio;

E muito menos que já peguei “receitinhas” no site da Ana Maria Braga;

Que tenho horror de ler o horóscopo, pois acho que sou capaz de sabotar meu dia se lá tiver escrito coisas negativas;

Não vou te contar que às vezes me sinto tão feliz, que tenho medo de que essa felicidade possa acabar comigo ou com ela mesma;

E muito menos que tenho medo de viver plenamente, mas ainda assim prefiro isso , que ficar dentro de casa.

Amizade!

Tem coisa melhor no mundo que uma amiga descrever você através de imãs de geladeira?

Quer coisa mais autêntica!Quanta felicidade com tal presente ao colocá-los na geladeira,até porque abro ela com muita frequência...rs.Obrigada pelo carinho, amiga!

Liberdade é pouco mesmo, eu quero muito mais, não tenha dúvida.É tão bom saber que alguém quer realmente conhecer nossos velhos e novos "gostos". Indescritível!

Aqui vai uma foto tirada com o celular, não ficou tão bonita como quando eu olho para a geladeira,mas já é uma nova marca registrada da nossa nova casa.

Coube, combinou, enfeitou e alegrou!Não canso de mudá-los de lugar, é quase como uma brincadeira.Seria essa a intenção já que nos conhecemos no período infância/adolescência?

Não espero respostas prontas, como quase sempre...


Beijos,
Lidi

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Poema para cinco amigas

Incomode sua cabeça, seu corpo e seus livros de cabeceira;

Tome um banho de prata, de mar, e de sal grosso pelo menos uma vez ao ano;

Abra as janelas, a lata de brigadeiro, a cerveja e outras coisas mais que quiser;

Roube para você o pôr do sol de Porto Alegre, o sorriso de uma criança ao ver uma maçã do amor, e o olhar adolescente de quem experimenta pela primeira vez o que é estar “enamorado”;

Regue seus pés pois você ainda vai crescer muito, seu animal de estimação, seus filhos e a esperança;

Crie um novo jeito de andar menos rápido, uma nova cor para seus cabelos e um final de semana à seis ou mais;

Construa uma casa só sua, uma calçada rosa e qualquer “aparato” contra a saudade;

Chore por estar de “pileque”, de tanto rir e por fazer as pazes com você e com a vida;

Escreva sua história num rascunho, nas nuvens e no peito de quem você quer bem;

Esqueça o carro aberto para “ventilar”, o remedinho para dormir e boa parte do que aprendeu com sua mãe;

Me ensine a música da moda, a mexer no celular novo e a passar mais vezes “peroba na cara”;

Adote a psicoterapia que você tanto precisa, sua conta bancária, e principalmente você;

Escute os ponteiros do relógio, os conselhos dos amigos de longa data e delete tudo que dizem a seu respeito que você discorda.

Com emoção ou sem?Com emoção, sempre!